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Moradores de condomínio no Recife se unem e distribuem mais de 35 mil marmitas na pandemia da Covid-19

Projeto criado por empresária e professora cresceu e passou a empregar três funcionários. Todas as noites, as refeições são distribuídas para quem não tem como se alimentar

A vontade de ajudar quem não sabe quando terá uma próxima refeição acabou por unir moradores de um condomínio localizado no Recife que mal se conheciam. No início da pandemia da Covid-19, em março, os vizinhos começaram a preparar e distribuir marmitas e contabilizam que mais de 35 mil refeições foram entregues até o início de outubro.

A iniciativa partiu da empresária Maria Eduarda Gibson e da professora Raquel Pernambuco. “Eu decidi fazer cuscuz com salsicha porque era um prato fácil. Eu sabia que eles iam gostar e aí eu corri para o supermercado, comprei as coisas, as marmitas e comecei a fazer. No mesmo dia, em dez minutos, a gente conseguiu entregar 20 marmitas”, contou Maria Eduarda.

Aos poucos, 16 vizinhos apareceram para ajudar no projeto, e outros 18 voluntários trazem comidas prontas. “Se transformou numa família que eu acho que nunca mais se separa não”, afirmou Raquel.

A estudante de gastronomia Irliane Sandrys é uma das responsáveis por preparar o arroz. “Vale a pena a gente ver que está ajudando outras pessoas, que a gente está podendo dar a mão e poder ajudar realmente”, disse.

A sede do projeto saiu do quintal de Raquel para uma sede própria alugada. E, para dar conta do trabalho, os vizinhos solidários precisaram contratar três funcionários, entre elas a cozinheira Maria Tácia.

“Eu faço 20 quilos de frango, 10 quilos de feijão e 10 quilos de arroz. Distribuo amor e também me ajuda financeiramente”, falou.

A cada fim de tarde, é feito um mutirão para encher 200 marmitas. Há uma escala entre os participantes do projeto para evitar aglomeração. E cada marmita leva uma mensagem.

“A gente entrega amor, não é só alimento. A gente deseja paz e que tudo isso vai passar, que está passando”, declarou a advogada Janaína Magalhães, voluntária no projeto.

Quando a noite vai começando, o grupo parte para fazer a entrega das marmitas. O administrador Luís Venceslau se tornou motorista voluntário no projeto. “É uma emoção muito grande porque eles ensinam humildade e gratidão a você o tempo inteiro”, relatou.

A distribuição das marmitas acontece em 13 pontos do Recife. Durante os mais de seis meses do projeto, alguns voluntários pararam de ajudar, mas os vizinhos solidários não conseguem ficar em casa sabendo que a fila de quem precisa de um prato de comida não diminui.

É por esse motivo que eles continuam nas ruas, todas as noites. “É a principal refeição deles. Então, quando nós chegamos, é a maior alegria. A gente pode enxergar no olho de cada um a esperança de se alimentar nesse dia”, contou a voluntária Fabiana Milhomens.

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