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Cratera se abre em condomínio de Mogi Mirim e moradores temem desabamento de prédio

Buraco se formou há cerca de um mês, após as chuvas que atingiram a cidade. Marcenaria vizinha teve a estrutura comprometida e foi interditada. Construtora aponta irregularidades no local

Uma “cratera” se abriu ao lado de um dos prédios de um condomínio em Mogi Mirim (SP) após as chuvas que atingiram a cidade recentemente. O problema, que começou há um mês, causou a interdição de uma marcenaria vizinha e gera preocupação dos moradores que moram ali.

A EPTV, afiliada da TV Globo, visitou o local e constatou que o buraco provocou, inclusive, a queda de um muro do condomínio, localizado no bairro Alto do Mirante.

James Leal, subsíndico, explicou que o acúmulo de água da chuva no buraco fez com que ele fosse se abrindo mais.

“Fez um ‘piscinão’ aqui e cedeu, onde estourou a primeira erosão. Daí foi passando esses 30 dias e, conforme as chuvas vêm caindo semanalmente, vem abrindo essa cratera, causando danos no muro.”, disse.

Apesar de a erosão ainda não ter atingido a estrutura do prédio, moradores não escondem o medo de que isso possa vir a acontecer com as chuvas futuras.

“A gente não sabe o que é dormir agora. Se alguém arrasta um móvel, você já acha que o negócio vai cair. Então a gente está muito preocupado.”, destaca a faxineira Maria Luiza Marcelino.

Além do problema com o buraco, o empreendimento, que foi construído há cinco anos através do programa Minha Casa Minha Vida, apresenta sinais de desgaste na estrutura, como rachaduras espalhadas pelas paredes.

Marcenaria “condenada”

A cratera formada no condomínio comprometeu o funcionamento de uma marcenaria ao lado, que foi interditada após ser invadida pela lama e acumular rachaduras. Segundo o dono do local, a estrutura já está condenada, ou seja, oferece riscos para quem a frequenta.

“O prejuízo é grande. A gente vai ter que desmanchar e começar de novo. Os funcionários já foram dispensados, e estamos esperando.”, relatou Nilson Carlos Sia.

Posicionamentos

De acordo com a Defesa Civil, o buraco não oferece riscos aos moradores do condomínio. Entretanto, as chuvas, segundo o órgão, podem mudar a situação.

“Temos a prevalência de chuva no mês de dezembro até o mês de março. Então, se continuar chovendo, pode existir o risco. A gente vai estar monitorando todos os dias. […] Se o risco se instalar, imediatamente a gente vai tomar decisão.”

Já um representante da BM Engenharia, construtora responsável pelo local, informou à EPTV que foi feita uma vistoria no condomínio, e duas irregularidades foram constatadas, segundo ele:

A administração não fez manutenções na rede de água pluvial, o que gerou entupimento de bocas de lobo e outros problemas;

Sem autorização, a administração construiu um muro para evitar furtos no condomínio. Esse muro, então, teria represado a água que infiltrou no solo do condomínio e gerou todos os transtornos.

Em relação aos problemas de rachaduras e desgastes nas estruturas dos prédios, a construtora garantiu que não procede a informação, já que “todas as reclamações foram atendidas”. Segundo ela, a responsável por repassar as reclamações é a Caixa Econômica, e pode haver uma demora nesse processo.

A Caixa Econômica afirmou, em nota, que também providenciou vistoria técnica no local, após a feita pela construtora, e constatou as mesmas alterações, “bem como indicativos de falta de manutenção adequada do sistema de drenagem”.

“Desta forma, não foram identificados problemas relacionados a vícios construtivos no empreendimento. Esclarecemos ainda que questões de manutenção predial devem ser realizadas pelo condomínio”, diz a Caixa.

Advogado especialista em direito do consumidor e imobiliário, Giovanni Ítalo de Oliveira explica que, em caso de problema é estrutural, a construtora e a instituição bancária precisam resolver.

“Se há algum tipo de cláusula em que a construtora esteja atribuindo ao condomínio a obrigação de cuidar de obras de natureza estrutural, essas cláusulas são consideradas pela justiça como leoninas e não possuem validade. Ou seja, se existe esse problema estrutural, a construtora e a instituição bancária deverão, sim, responder pelos danos causados.”, enfatizou.

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