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Cirurgião plástico de BH faz festa em apartamento, em meio à pandemia: ‘Dá festa e depois opera’, diz paciente

A festa com DJ e garçons aconteceu no sábado (19), no apartamento onde o médico mora. Pelo menos 40 pessoas estavam na comemoração. Médico tem mais de 120 mil seguidores em uma rede social

Um médico cirurgião plástico, de Belo Horizonte, publicou em uma rede social uma sequência de vídeos de uma festa com amigos, que teria acontecido no apartamento dele, no sábado (19). O bairro onde ele mora não foi divulgado.

Além de médico, Gustavo Aquino é um influencer digital, com mais de 120 mil seguidores em seu perfil na rede social. Segundo uma paciente que não quis se identificar, ele ficou famoso devido às cirurgias de lipoaspiração HD, de alta definição. “Vem gente de fora fazer com ele”, contou. Uma consulta com o médico custa, em média, R$ 1.500.

Essa paciente disse que “ele sempre dá estas festas, só que agora teve coragem de postar”.

“Um absurdo um profissional da saúde fazer umas coisas dessas. Uma festa, em meio à pandemia. Dá festa e depois opera, já imaginou o risco? Estou indignada”, disse a mulher.

Nos vídeos publicados pelo próprio médico, pelo menos 40 pessoas aparecem fazendo o uso de bebidas alcoólicas e dançando ao som de uma DJ.

Em uma das postagens o médico escreveu: ” Reunião da turma! O importante da vida é ser feliz!”.

As publicações foram apagadas no perfil do cirurgião, no início da tarde deste domingo (20).

O G1 tentou contato com a clínica onde o médico trabalha e pelo perfil dele na rede social, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve retorno.

Fiscalização dentro das casas

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte disse que recomenda que os cidadãos não realizem e nem participem de eventos e confraternizações de final de ano, independentemente da quantidade de pessoas. As denúncias de aglomerações na cidade podem ser feitas pelo 153, destacou a administração municipal.

Já a Guarda Municipal de BH destacou que não pode entrar nas casas para fazer essa fiscalização:

“Com base no Artigo 5º da Constituição Federal, que define o direito fundamental relativo à inviolabilidade domiciliar, a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.”

Portanto, os agentes não tem poder de entrar “nos domicílios particulares para verificar o cumprimento do distanciamento mínimo entre as pessoas e das demais medidas preventivas contra a propagação da pandemia”.

“A corporação ressalta, porém, que a pandemia não acabou. Neste sentido, se faz necessário adotar as medidas de prevenção indicadas pelas autoridades de saúde e somar forças para que juntos possamos superar esse momento”, informou a nota da Guarda Municipal.

‘O momento não é para festas’

Segundo o infectologista Carlos Starling, que também é membro do comitê de enfrentamento da Covid-19 da prefeitura, “o momento não é para festas”, mas se, mesmo assim, as pessoas optarem por passar o natal e réveillon com parentes é preciso ter responsabilidade.

O infectologista falou ao G1, em reportagem na semana passada, sobre os cuidados durante a comemoração. Principalmente retirar a máscara apenas na hora das refeições e manter o distanciamento de 1 metro e meio entre os convidados, além do uso de álcool em gel nas mãos:

“Faça o encontro, preferencialmente, em ambiente aberto ou arejado. Não dá para receber penetra, só as pessoas que se cuidaram antes e que fazem parte da sua “bolha de relacionamento”. O distanciamento precisa ser mantido, só retirar a máscara para comer. Marque os copos, deixa os talheres e pratos separados, retire a máscara somente na hora das refeições. Isso tudo sem abraço de Feliz Natal”, orienta o médico.

“Nada é 100% seguro. Segurança é não fazer festa”, cravou ele.

Na última coletiva de imprensa da Prefeitura de Belo Horizonte, tanto o prefeito Alexandre Kalil quanto o secretário de Saúde, Jackson Machado, e os médicos do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 reforçaram o apelo para que as pessoas não façam festas neste fim de ano, porque existe a perspectiva de um “janeiro sombrio” pela frente, se não houver cuidados.

“É hora de a gente parar e pensar que talvez seja o momento de a gente não confraternizar e não comemorar o natal de 2020 para poder comemorar e estar todo mundo vivo em 2021”, disse Jackson Machado.

“Pode virar uma festa de despedida. É importante as pessoas entenderem a gravidade: janeiro vislumbra um mês tenso, sombrio, se a gente não conseguir reduzir essa transmissão”, disse o médico Unaí Tupinambás.

Na última sexta-feira (18), a taxa de ocupação de leitos de UTI na capital voltou ao alerta máximo, acima de 70%, pela primeira vez desde 12 de agosto.

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