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Condomínios têm R$ 30 mil transferidos indevidamente e síndicos acusam administradora de fugir com dinheiro em SP

Responsável pela administradora deixou contas pendentes em edifícios, que correm risco até de terem a água cortada por falta de pagamento. Caso ocorreu em Praia Grande (SP)

Uma administradora de bens e condomínios em Praia Grande, no litoral de São Paulo, é acusada por síndicos de edifícios de realizar transferências bancárias irregulares, e de se apropriar de valores dos prédios que deveria gerenciar. Nesta quarta-feira (16), o g1 ouviu três vítimas que chegaram a perder em torno de R$ 30 mil cada.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) confirmou que há registro de boletim de ocorrência por apropriação indébita contra a administradora. O 1º Distrito Policial de Praia Grande é uma das delegacias responsáveis por apurar e esclarecer os fatos. A pasta disse não ter localizado outros registros contra a empresa.

Ao menos 11 síndicos de edifícios de Praia Grande criaram um grupo em uma rede social, em que afirmam terem sofrido algum tipo de prejuízo. De acordo com as vítimas, a responsável pelo estabelecimento fugiu com milhares de reais, deixou contas pendentes, e agora há edifícios que correm risco até de terem a água cortada por falta de pagamento.

“Sou síndico há 14 anos e nunca tive problema nenhum com ela. Fiquei muito p***. Falei ‘não é possível. Será que é só comigo?’. Mas, já descobri vários prédios que passaram pelo mesmo. Me senti traído. Se eu soubesse, teria tirado o prédio de lá”, desabafa o síndico de um dos edifícios prejudicados, Edson Franceschini, de 73 anos.

No caso do prédio de Edson, as movimentações financeiras irregulares começaram em dezembro do ano passado. “Mexeram na conta poupança e falsificaram o extrato”, diz. Nesta semana, ele tentou ligar na administradora para cobrar que o pagamento para funcionários da limpeza do edifício fosse feito, mas o telefone já não atendia mais.

Edson mostrou ao g1 o extrato bancário obtido com a agência na qual o prédio possui conta. Há diversas transferências de R$ 5 mil, realizadas via PIX. Somadas, o prédio perdeu R$ 32 mil.

No caso de Tadeu Manuel Carvalho Artilheiro, de 60 anos, também síndico de um edifício no bairro Ocian, em Praia Grande, a administradora “nunca tinha dado motivo para desconfiar. Sempre foram honestos no pagamento das contas do prédio. Há mais de dez anos que a gente estava com eles”.

Porém, na última semana, Tadeu também tentou fazer contato com a administradora para cobrar um pagamento que não havia sido feito. “Achei estranho, liguei várias vezes e não atendiam, não davam retorno. Fui pessoalmente e me deparei com a administradora fechada”, lembra.

“Passei na agência bancária, fui puxar o extrato e verifiquei que tinha um rombo na conta, e que ela estava desviando o dinheiro. Ela dizia que o prédio tinha R$ 15 mil de saldo positivo. Não era, não. Isso era um número fictício, que ela informava para nós todo mês”, conta Tadeu.

O boletim de ocorrência registrado por ele aponta desvio de R$ 29.683 da conta do prédio.

Também síndica em Praia Grande, Heloísa Felícia Pires Valadares, de 69 anos, explica que começou a desconfiar de irregularidades no último domingo (13), quando a administradora mandou entregar todos os documentos do prédio para a síndica.

“Achei estranho aquilo. E também estranhei que, no balancete, constavam coisas que não haviam sido feitas. E nós recebemos um aviso de que a água ia ser cortada, mas no balancete a conta aparecia como paga”, diz.

No dia seguinte, Heloísa foi ao banco, onde teve acesso aos extratos. “A gerente ficou até sem jeito de me falar. Ela ficou assim, do meu lado, acho que ela pensou: ‘ela vai ter um troço’. Ela falou que a conta do prédio estava negativa em R$ 950”, diz a síndica.

Heloísa esperava poder quitar a conta de água naquele momento, já que achava que contava com um saldo de R$ 18 mil, proveniente de taxas pagas por todos os 29 condôminos. O prédio também acumulava o saldo do pagamento de um sinistro feito pela seguradora. Somados, os valores levados da conta do edifício chegam a R$ 31 mil.

“Essa empresa já estava administrando o prédio há quase 25 anos. Então, você pensa na pessoa, visualiza a pessoa na sua frente, vê o rosto dela, e pensa ‘não, aquela pessoa não seria capaz de fazer isso’. E depois vem aquele sentimento de raiva e de traição”, finaliza.

O g1 ligou para o número da administradora, informado no site da empresa, mas não conseguiu falar com nenhum responsável. Também tentou contato por e-mail, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

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