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Gestor de Águas Claras leva soco de morador em condomínio

Wahby Khalil está internado em um quarto e o quadro de saúde geral do síndico é estável e sem agravamentos

O síndico Wahby Khalil, 42 anos, agredido a socos pelo personal trainer e professor de educação física Henrique Paulo Sampaio Campos, recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e agora se recupera em um apartamento do Hospital Santa Lucia.

“O quadro geral é estável e sem agravamentos. Recebeu alta da UTI, atualmente encontra-se internado em um apartamento”, informou a última nota do hospital.

No sábado (19/3), o jornalista passou por um tratamento odontológico para extração de dentes que ficaram moles após o soco no rosto. A intervenção transcorreu sem intercorrências, quando Khalil ainda estava internado na UTI.

Depoimento

Wahby Khalil enviou um vídeo ao Correio, no último sábado (19/3), no qual falou sobre os socos que recebeu. “Eu tenho falado que a maior dor que estou sentindo não é nem a dor física, a dor de saber que estou machucado pela queda, pelo murro, mas é a dor de saber que alguém que estava muito próximo a mim poderia ter me matado em um segundo”, disse o jornalista.

O síndico afirmou que assistiu ao vídeo que registrou o momento da agressão flagrado por câmeras de segurança. “O mais doído foi ver nas imagens a covardia. Ver que eu já estava caído no chão, precisando de ajuda, e, mesmo assim, a pessoa continuou ali desdenhando, falando, ao invés de me ajudar. Aqueles segundos poderiam ser cruciais na minha vida. Isso é o mais doído e o mais cruel.”

Entenda o caso

O síndico foi agredido a socos ao chamar a atenção de um educador físico pelo incômodo causado por um saco de pancadas instalado em uma academia de um condomínio de Águas Claras. Em vídeo gravado pelo circuito de segurança do condomínio, é possível ver o momento em que Khalil, síndico do condomínio, é agredido pelo personal Henrique. A 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul) investiga o caso.

Henrique Campos, acusado de agredir o jornalista Wahby Khalil, pode responder por lesão gravíssima; síndicos fazem manifestação hoje para pedir Justiça

O caso do síndico agredido covardemente com um soco no rosto por um professor de artes marciais em um condomínio de Águas Claras, na quinta-feira (17/3), provocou indignação nos brasilienses. O personal de boxe Henrique Paulo Sampaio Campos, 49 anos, atacou o jornalista Wahby Abdel Karim Khalil, 42.

O suspeito é investigado pela Polícia Civil e pode sofrer punições em outras esferas, além da criminal, como expulsão do edifício Luna Park, onde mora, e ser penalizado profissionalmente no Conselho Regional de Educação Física da 7ª Região (Cref7).

Internado na unidade de terapia intensiva (UTI) de menor complexidade do Hospital Santa Lúcia, Khalil deve passar por uma cirurgia odontológica neste sábado (19/3), segundo boletim médico divulgado às 16h de sexta-feira (18/3). Na manhã deste sábado, síndicos de diversos condomínios do DF se reunirão em frente ao Luna Park para pedir por Justiça.

Na porta do prédio, cartazes foram colados em forma de protesto: “Um monstro não pode ser chamado de professor. Covarde”, diz uma das mensagens. Em outro cartaz, uma pessoa escreveu: “Justiça por Khalil”.

O caso aconteceu na academia do edifício. Câmeras do circuito interno do local registraram o momento em que Khalil e Henrique discutem. O advogado do síndico, Edson Alexandre, explica que Khalil havia recebido inúmeras reclamações sobre o saco de pancadas utilizado para treino de boxe.

“Ele (Khalil) foi apenas conversar para tentar arrumar uma solução, uma vez que o objeto fica preso por correntes ao teto e fazia muito barulho, causando incômodo no prédio”, afirma. Pelas imagens, é possível ver quando Henrique desfere um soco no rosto da vítima, que cai ao chão e bate com a cabeça no piso.

Após a agressão, o síndico chegou a mandar mensagem no grupo de moradores do Luna Park contando a situação. “Levei um soco no rosto. Estou indo para o hospital”, escreveu. Khalil está internado no Hospital Santa Lúcia e foi para a UTI em decorrência de uma hemorragia cerebral.

No boletim assinado pelo coordenador da unidade de terapia intensiva, Alberto Mendonça, e pelo diretor executivo do Santa Lúcia, Sergio Murilo, e divulgado na tarde de ontem, os médicos afirmam que o quadro clínico do está estável, sem agravamentos. O jornalista foi submetido a um novo exame de imagem, que constatou não haver progressão das lesões iniciais.

Confusão recorrente

Policiais civis da 21ª Delegacia de Polícia intensificaram as buscas para localizar Henrique Paulo e intimá-lo a depor. Desde o dia da agressão, o professor não foi mais encontrado no condomínio nem em endereços ligados a ele. Apesar do sumiço, o suspeito não é considerado foragido da polícia, pois não há mandado de prisão em aberto contra ele.

Ao Correio, o delegado-chefe da unidade policial, Alexandre Gratão, ressalta que, inicialmente, o caso é investigado como lesão corporal, mas a tipificação pode mudar após análise dos laudos médicos. “Vamos esperar para fundamentar o indiciamento. A depender do resultado, pode ser enquadrado como lesão leve, grave ou gravíssima”, detalha.

A reportagem tentou conversar com Henrique, mas sem sucesso.

O subsíndico do Luna Park, Marcos Laterza, conta que não é a primeira vez que Henrique causa confusão no prédio. Ele mesmo teve desavenças com o professor em março do ano sofrendo agressões verbais.

“Eu já tive situações ruins com ele. Além disso, quando eu vim morar aqui, há dois anos, fui informado pelas pessoas que era um condômino com problemas. Já ouvimos gritarias do apartamento dele, e a polícia chegou a ser acionada”, lembra. Marcos destaca que os moradores estão assustados com a situação.

Violação

O Instituto Nacional de Condomínios e Apoio aos Condôminos (INCC) emitiu uma nota de repúdio à agressão sofrida pelo síndico. Ao lado da Associação Brasileira de Síndicos e Condomínios (Abrassp) e a Associação dos Síndicos de Condomínios Residenciais e Comerciais do Distrito Federal (Assosíndicos-DF), o grupo considera inaceitável a ação violenta do personal.

Para o instituto e as associações, o ocorrido é um “trágico episódio de intolerância” e “desrespeito às regras do condomínio”. As entidades definiram a conduta do professor como “prepotente, arrogante e agressivo”. “É intolerável que um professor proceda com um soco, combinado com truculência, desrespeito e falta de civilidade, se colocando acima da lei, agredindo física e moralmente o síndico do condomínio”, ressalta a nota.

O Sindicato dos Condomínios Residenciais e Comerciais do DF (SindicondomínioDF) se colocou à disposição para questões jurídicas. Ao Correio, o presidente da entidade, Antônio Carlos Saraiva repudiou veemente a agressão.

“Entramos em contato com o condomínio logo após tomarmos conhecimento do fato. Estamos muito preocupados, e o importante é estarmos à disposição do edifício para aquilo que eles precisarem”, disse. Antônio ressalta que casos como esse são raros. “Felizmente, não é algo que acontece com frequência e, quando acontece, procuramos resolver da melhor forma possível.”

Especialista em direito civil e imobiliário, o advogado Marcus Vinícius Martins avalia que o personal pode responder pela agressão, também, na esfera civil. 

“Independentemente de qualquer coisa, o que ele (Henrique) fez é caracterizado como um ato criminoso. Mesmo se a vítima não denunciasse, o caso poderia ser levado à polícia por testemunhas. A pessoa que foi agredida também pode entrar com ação de indenização moral e material”, explica.

Marcus destaca que o condomínio pode convocar uma assembleia entre os moradores para decidir se é o caso de entrar ou não com uma ação judicial para a expulsão do condômino.

Nesse caso, o advogado representante que vai convencer o juiz e provar que essa medida é necessária. Mas o mais importante é que, nessa assembleia, o suspeito seja chamado para se defender”, finaliza o especialista.

O psicólogo Igor Barros afirma que a emoção é o maior dificultador para sair e entrar num conflito. Para ele, o conflito é bom: “Faz crescer a discussão, a personalidade do outro, o próprio assunto. Mas, a partir do momento que começa a intolerância, a impaciência, a falta de condução, vira um conflito por conflito”.

Saber diferenciar a emoção da razão também evitaria com que um conflito e uma discussão se tornassem uma agressão, nas palavras do especialista. Ao perceber que os ânimos estão exaltados, o melhor a fazer é sugerir que a conversa continue em um outro momento, quando as partes estiverem calmas.

Esse tipo de conflito, que envolve a rotina de um prédio, por exemplo, tem a ver com a vivência de cada um. “Qualquer tema, do cachorro ao saco de boxe que está instalado no lugar errado, vira um conflito”, pondera.

Polêmica sobre um saco de boxe na academia motivou um morador a esmurrar o jornalista Wahby Khalil, que chegou a cair desacordado no chão

Um síndico profissional levou um soco e caiu, na manhã desta quinta-feira (17/3), depois de discutir com um morador de um condomínio residencial em Águas Claras.

A agressão ocorreu após desentendimento sobre um saco de boxe na academia coletiva. O episódio aconteceu dentro do Residencial Luna Park, na Quadra 301 de Águas Claras. O condomínio tem dois prédios, blocos A e B. De acordo com a vítima – o síndico e jornalista Wahby Khalil, 41 anos –, o agressor mora no Bloco A, onde ocorreu a violência.

Wahby Khalil tentou argumentar sobre os problemas causados pelo equipamento esportivo e acabou levando um murro na cara, chegando a cair desacordado no chão.

“Fui mostrar para o morador que o saco de boxe que ele usa estava danificando o teto. Eu disse que levaria para a assembleia para a gente modificar aquilo. Só que ele, completamente transtornado, começou a falar alto e a gesticular. Eu pedi para ele se acalmar, quando ele me deu a porrada”, contou o jornalista.

Pelas imagens do circuito interno de monitoramento, Khalil leva o soco, cai no chão e permanece sem se mover por alguns segundos. Ele não recebe ajuda do agressor ou do funcionário do condomínio. A vítima está no Hospital Santa Lúcia, na Asa Sul, onde fará exames na cabeça.

“Minha boca está toda machucada”, frisou. Segundo o síndico do condomínio, vizinhos haviam reclamado do mesmo morador por causa de outras situações violentas. “Já havia relatos da agressividade dele”, revelou Khalil.

Uma ocorrência foi registrada na 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga), mas o síndico preferiu não divulgar o nome do acusado.

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